A guerra na Ucrânia foi vendida ao mundo como um embate entre democracia e autoritarismo, uma luta de resistência contra a agressão russa. Mas, conforme as camadas dessa narrativa se desfazem, fica evidente que o verdadeiro jogo é outro: uma corrida pelo controle dos vastos recursos minerais do país—em especial, os essenciais para a transição energética global.
Se a defesa da soberania ucraniana fosse o objetivo central, por que o país precisa entregar suas riquezas naturais em troca de apoio militar, sem sequer garantir sua própria segurança? A disputa entre Estados Unidos e União Europeia por acordos de exploração revela que a Ucrânia não passa de um tabuleiro onde grandes potências brigam para garantir acesso ao lítio e outros minérios críticos. Enquanto isso, o povo ucraniano paga o preço, servindo de peça descartável nessa guerra travestida de princípio moral.
A ironia é gritante: o Ocidente denuncia a invasão russa enquanto se apressa para garantir que, no final, as minas de lítio e outros recursos estejam sob controle de aliados estratégicos. O discurso é sobre liberdade e democracia, mas, como sempre, a história nos ensina que o verdadeiro objetivo das guerras raramente é o que se anuncia.
No século XIX, as potências coloniais justificavam suas invasões com discursos civilizatórios, mas, no fim das contas, era sempre sobre quem controlava o ouro, o petróleo, o cacau, o urânio. Hoje, o pretexto é a defesa da Ucrânia, mas o que realmente está em jogo?
Então, quem está mentindo sobre essa guerra?
Enquanto isso, a China agradece ao mundo por criar um ambiente favorável para que ela invada Taiwan. Se a nova ordem global aceita que a soberania de um país pode ser negociada com base em interesses econômicos, Pequim já tem o argumento perfeito para justificar sua ofensiva sobre a ilha. Afinal, Taiwan é um dos epicentros da produção global de semicondutores, essenciais para a indústria de tecnologia, defesa e inteligência artificial. Com o domínio de Taiwan, a China eliminaria sua dependência de chips fabricados sob influência ocidental e consolidaria sua posição como superpotência tecnológica. Assim, enquanto as grandes potências se digladiam na Europa pelo controle de minérios, a China apenas observa e espera o momento certo para agir—e quando o fizer, quem poderá contestá-la sem cair na própria hipocrisia?
