Nos últimos tempos, têm-se intensificado as denúncias de violações de direitos humanos cometidas pelos Estados Unidos contra migrantes latino-americanos, especialmente brasileiros, colombianos e mexicanos. Essas ações não apenas afetam diretamente os indivíduos deportados, mas também repercutem nas relações diplomáticas entre os países envolvidos, evidenciando uma crescente tensão na América Latina.
Tratamento degradante de migrantes
Recentemente, o governo brasileiro manifestou indignação com o tratamento dispensado a seus cidadãos durante processos de deportação. Relatos indicam que migrantes brasileiros foram submetidos ao uso indiscriminado de algemas e correntes durante voos de repatriação, o que viola acordos bilaterais que preveem um tratamento digno e humano aos repatriados. O Itamaraty classificou essas práticas como “degradantes” e anunciou que solicitará esclarecimentos ao governo norte-americano.
A Colômbia também adotou uma postura firme diante dessas situações. O presidente colombiano, Gustavo Petro, desautorizou a entrada de aviões americanos com migrantes colombianos deportados, exigindo que os Estados Unidos estabeleçam um protocolo de tratamento digno para esses indivíduos. Petro enfatizou que os migrantes não podem ser tratados como criminosos e que devem ser transportados em aviões civis, não militares.
No México, medidas semelhantes foram adotadas. O país recusou a entrada de uma aeronave militar dos EUA que transportava migrantes deportados, reforçando a exigência de respeito aos direitos humanos e à dignidade dos repatriados.
Reações dos Estados Unidos
Em resposta às ações colombianas, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou sanções contra a Colômbia, incluindo a suspensão da emissão de vistos e a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos colombianos. Essas medidas evidenciam a escalada das tensões diplomáticas na região.
A influência crescente da China na América Latina
Paralelamente a esses eventos, observa-se uma mudança significativa na dinâmica geopolítica da América Latina. A China tem ampliado sua presença na região por meio de investimentos robustos em infraestrutura, energia e mineração. Projetos como o novo porto de Chancay, no Peru, simbolizam essa crescente influência chinesa, que tem superado a dos Estados Unidos em diversos aspectos.
Enquanto os EUA adotam medidas punitivas e restritivas, a China se posiciona como um parceiro estratégico, oferecendo investimentos e parcerias que impulsionam o desenvolvimento econômico dos países latino-americanos. Essa abordagem tem levado muitos países da região a fortalecerem seus laços com Pequim, em detrimento de Washington.
As recentes violações de direitos humanos contra migrantes latino-americanos nos Estados Unidos, aliadas às respostas diplomáticas firmes de países como Brasil, Colômbia e México, ressaltam uma mudança nas relações hemisféricas. Ao mesmo tempo, a crescente influência da China na América Latina indica uma possível reconfiguração das alianças geopolíticas na região, sugerindo que os EUA estão enfrentando desafios significativos em sua tradicional esfera de influência.
