O Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, nos convida anualmente a refletir sobre as contribuições, a história e as lutas do povo negro no Brasil. Em 2024, a TV Globo apresenta um especial que vai além da celebração: “Falas Negras”, que este ano lança luz sobre um tema de extrema importância e urgência — o uso do reconhecimento fotográfico em investigações criminais e seu papel no encarceramento de pessoas negras.
Dirigido por Antonia Prado e conduzido por Clayton Nascimento, o especial propõe uma experiência única, mesclando dramaturgia e experimento social para narrar o caso fictício de Wesley, um jovem negro acusado de homicídio com base exclusivamente no reconhecimento fotográfico. A trama, embora fictícia, ressoa de forma dolorosa com a realidade de milhares de brasileiros. Afinal, o reconhecimento fotográfico, como método investigativo, tem se mostrado extremamente falho e injusto, especialmente quando aplicado a pessoas negras.
Por que o reconhecimento fotográfico é um problema?
Especialistas apontam que a memória humana é suscetível a falhas, especialmente em situações traumáticas. Estudos mostram que, em um contexto de tensão, é comum que testemunhas cometam erros ao identificar suspeitos. No Brasil, onde o racismo estrutural ainda é uma realidade latente, essas falhas se traduzem em um viés devastador contra a população negra.
Uma pesquisa de 2021 realizada pelo Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), em parceria com a Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPRJ), revela números chocantes: 83% das pessoas presas injustamente por reconhecimento fotográfico são negras. Esses dados refletem um sistema de justiça que, longe de ser imparcial, perpetua desigualdades e reforça o encarceramento em massa de pessoas negras.
No caso de Wesley, o especial da Globo explora as camadas de injustiça que vão além das provas frágeis. Ao longo do programa, o público será conduzido por uma jornada de reflexão, onde temas como racismo institucional, preconceito e os perigos do uso isolado de técnicas falhas serão debatidos de forma profunda e acessível.
Por que assistir “Falas Negras”?
Em tempos onde o entretenimento muitas vezes se torna apenas escapismo, produções como “Falas Negras” cumprem um papel vital. Este não é apenas um programa; é um convite à empatia e à mudança. Ele coloca o público frente a frente com uma realidade que muitos preferem ignorar: o impacto brutal de métodos investigativos mal aplicados em um país que ainda não conseguiu superar as marcas de séculos de escravidão e racismo.
A narrativa de Wesley transcende a ficção, pois, infelizmente, ela espelha casos reais de pessoas que tiveram suas vidas destruídas por acusações infundadas. E isso não é apenas um problema do sistema de justiça, mas de uma sociedade inteira que ainda não enfrenta, com a seriedade devida, o racismo estrutural que permeia nossas instituições.
Como e onde assistir?
O especial será exibido no dia 20 de novembro, logo após o programa “Mania de Você”, na TV Globo. É uma oportunidade de reunir a família, os amigos e iniciar um diálogo importante sobre justiça, igualdade e as mudanças necessárias para construirmos uma sociedade mais justa. Além da exibição na TV, o conteúdo também estará disponível no Globoplay, garantindo que o debate possa alcançar ainda mais pessoas.
Uma homenagem no Dia da Consciência Negra
No Dia da Consciência Negra, é essencial irmos além das palavras e das homenagens protocolares. Precisamos olhar para os desafios enfrentados diariamente pela população negra e nos comprometermos com ações que visem a mudança. Não basta reconhecer as contribuições culturais, históricas e sociais do povo negro; é necessário lutar contra as estruturas que continuam a marginalizar, segregar e destruir vidas.
O especial “Falas Negras” de 2024 é, portanto, mais do que entretenimento. É um chamado à ação, uma lembrança de que cada um de nós tem um papel na construção de um futuro mais igualitário. Que este 20 de novembro seja um marco para ampliarmos nossas vozes e fortalecermos nossas lutas, honrando não apenas a história, mas também o presente e o futuro do povo negro no Brasil.
Seja assistindo ao especial, seja debatendo os temas que ele propõe, que este Dia da Consciência Negra seja um momento de aprendizado, solidariedade e transformação. Porque enquanto houver racismo, nossa consciência nunca estará tranquila.
