Anvisa criará Comitê Técnico da Emergência Monkeypox

Monkeypox (varíola dos macacos) é uma doença viral rara, especialmente no Brasil, mas surtos na África mataram até 10% das pessoas infectadas. Monkeypox é semelhante à varíola, mas tem sintomas mais leves. Um dos sintomas da varíola é uma erupção semelhante à erupção causada pelo vírus da varíola.

1997 Brian W.J. Mahy, BSc, MA, PhD, ScD, DSc This image was created during a investigation into an outbreak of monkeypox, which took place in the Democratic Republic of the Congo (DRC), 1996 to 1997, formerly Zaire.

Em 28 de junho de 2022, a Estratégia Nacional de Vacina contra Monkeypox foi lançada pela Casa Branca e desde 08 de julho a agência Americana CDC (Centro de controle de doenças) disponibilizou materiais orientativos em sua página da internet.

No Brasil, apesar da lentidão para definição e comunicação de medidas de prevenção, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), emitiu um comunicado sobre a criação de um Comitê Técnico da Emergência Monkeypox. Essa lentidão no Brasil não é uma novidade, levando em consideração a lentidão em reconhecer e atuar de maneira apropriada na pandemia COVID19, que ainda não estamos livres.

Ontem (27) em conferência da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Brasília, Pedro Hallal, ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), professor e epidemiologista, comentou sobre os aprendizados com a pandemia COVID19 e mesmo com todo conhecimento e infraestrutura existente, o Brasil foi ineficaz em sua gestão da pandemia.

“O Brasil tinha capacidade e inteligência para enfrentar a pandemia, mas não o fez de forma adequada. Quando se tem uma cardiopatia, busca-se um cardiologista. Se o problema está nos olhos, busca-se um oftalmologista. No caso de uma pandemia, é o epidemiologista a pessoa natural para ser ouvida, mas infelizmente não foi o que ocorreu no Brasil”

É fato que o Brasil possui capacidade e infraestrutura do SUS (Sistema Único de Saúde), com UBS (Unidades Básicas de Saúde) muito bem distribuídas pelo país. Toda essa estrutura, permite uma cobertura de vacinação não disponível em países de primeiro mundo.

A preocupação de Pedro, no entanto é sobre a velocidade de nossas ações: “Não tenho dúvida da gravidade. Faço, no entanto, uma ressalva: pelo nosso histórico, temos mais capacidade de saber o que fazer do que tínhamos no começo da covid-19. Mas é algo que deve ser feito rapidamente. Se demorarmos, a coisa pode complicar”, sugere o epidemiologista.

Muito crítico ao governo Bolsonaro, justamente pelos erros na pandemia COVID19, ele mencionou que “Criamos uma fantasia coletiva de que o melhor jeito de enfrentar pandemias é com tratamento. Isso é insuficiente. O que se deve fazer nesse tipo de situação é evitar que as pessoas fiquem doentes”

Suas críticas ao governo são muito incisivas em sua rede social. Publicação de 28/07/2022 no Tweeter.

Resta saber agora se haverá interferência política sobre essa varíola dos macacos e qual a velocidade no Brasil de agora em diante. Em um momento de eleições onde pautas ideológicas são estimuladas por interesses políticos, há um potencial dessa política atrapalhar na gestão de uma doença já classificada como “muito preocupante” pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

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